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Hoje, magoa…

Enterrei o meu futuro no deserto do passado. E por lá ficou…

Hoje, agradecimento…

Quero agradecer publicamente, a todas as pessoas que gostam realmente de mim, o facto de serem o garante da minha dignidade.

Hoje, estou confuso…

Acordo, agora… Sinto que mais uma vez não tomei as decisões correctas e, como consequência, sinto que estou metido num beco sem saída. Há várias soluções, nenhuma me agrada e nenhuma me faz verdadeiramente feliz.

Busco na imensidão da alma, uma vacina. Procuro no fundo do coração, a razão. Não tenho capacidade de prever o futuro mas sei lêr o passado. Tenho que decidir, mas a cabeça não me ajuda a pensar. Tenho medo de voltar a não acertar. De tomar a decisão que vai ser pior para mim.

Como era bom que nunca tivesse chegado aqui!? E que burro fui!!!! Mais uma vez, foi um passo incorrecto. Quem me manda a mim ser tão boa pessoa!?!?

Decididamente, estou a pensar seriamente em vender tudo e ir para África. Estou apenas a pensar, para já…

Hoje, esqueci…

Qual é o cheiro de um abraço?

Grande banda… grande música.
Slow Show - The National
Standing at the punch table swallowing punch
can’t pay attention to the sound of anyone
a little more stupid, a little more scared
every minute more unprepared
(…)

Hoje, o saldo…

… deste mês:

-384,62

Valerá a pena?

Uma vez que Jorge Palma se tornou, infelizmente, em algo que eu não consigo de todo ouvir (quem sabe, um dia), afogo a mente nas músicas do Sérgio Godinho.

Tem a particularidade de ser ainda mais profundo e ser preciso ouvir ou ler várias vezes a letra para se entender. Por vezes traça tangentes fantásticas com a realidade. Inventa expressões subjectivas e de múltiplas interpretações. Mas também é frontal, é directo e corre em direcção ao coração.

Às vezes o Amor - Sérgio Godinho

Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada

Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas

P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino

Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços

Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida

Da morte volta sempre em vida

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida

Hoje, gozado…

Começo a chegar à certeza de que fui gozado, usado e traído!
Não te espantes se vires o meu jardim sem flores.

The Bucket List, um filme muito bom. Não daqueles fantásticos, espectaculares, mas sim dos bons filmes, agradáveis e fáceis de se ver. Para além disso, dois senhores na arte de representar: Morgan Freeman e Jack Nicholson. Então este último… bem, o papel encaixa na perfeição. Não poderia haver melhor actor para representar um velho milionário, um pouco arrogante, mas divertido e gozão. Aconselho a ver que não perdem nada.

Incentivado por um amigo (e pela história do filme….) aqui estão as coisas que eu gostava de fazer antes de me tornar num ex-vivo:

  • Ter o meu próprio programa de rádio, onde pudesse tocar as “minhas músicas”: Sobretudo músicas dos anos 80. Fazer rádio sempre me fascinou.
  • Trabalhar nas Produções Fictícias, nem que fosse apenas 1 mês: Fazem aquilo que eu gostava de fazer para viver: escrever comédia e, por vezes, representá-la.
  • Sair deste planeta: Ir ao espaço. Acho que é algo que fascina todo o ser humano.
  • Ser pai: viver esta sensação maravilhosa, vivendo-a na mais pura sensibilidade que uma criança é capaz de sentir e transmitir. Penso que não haverá experiência mais ligada aos nossos sentimentos do que esta.
  • Escrever uma frase que nunca foi dita antes: imortalizar o meu pensamento.
  • Abraçar alguém sem ter medo ou pensar no que estará essa pessoa a pensar: deixar de lado tudo o resto e parar o mundo nesse instante.
  • Viver como se não houvesse amanhã: sentir-me realizado a todos os minutos e viver tudo o que de bom existe.
  • Aprender a tocar guitarra acústica e/ou viola baixo: um sonho antigo… uma forma de tocar as minhas músicas, à minha maneira.
  • Viajar muito: Escócia, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia, Patagónia, Canadá, Zanzibar, etc…: Sítios fantásticos.
  • Voltar a ouvir Jorge Palma: de uma forma despreocupada e sentir de novo aquelas mensagens que transmite, sem pudor e sem memórias.
  • Por um momento apenas, voltar a sentir-me puramente feliz: voltar a sentir a verdadeira felicidade. Aquilo que já tive e aquilo que já fui. De forma bem mais viva.

Está mais ou menos provado que descendemos dos primatas. Talvez não seremos todos, todos. Há os “gorilas” das portas das discotecas e bares. Há os “macacos” do nariz e o macaco Adriano, mas há também os que não têm nada a ver com esta descendência.

O homem moderno conseguiu, por exemplo, chegar a lua. Eu, contudo, se quiser ir ao centro da Lisboa perco-me ou chego lá porque entretanto perguntei a várias pessoas por indicações. O homem moderno consegue obras extraordinárias: na música, na engenharia, na construção, na tecnologia… O único instrumento que sei tocar (não, não é esse que falo) são campaínhas. Não sei nada de pedreiro e se puder viver sem computadores tanto melhor. Para além disso, o homem moderno inventa máquinas brilhantes que nos fazem tudo no dia-a-dia. Eu, contento-me por gostar muito de amendoíns e bananas e sei descascá-los muito bem e com muita categoria. Da minha parte, não tenho dúvidas…

Chamam-se The Ark. Apenas conheço esta música, e foi por acaso num programa do VH1. Entretanto, passaram em 2007 pelo Festival Eurovisão da Canção a representar a Suécia (confesso que nem sei em que lugar ficaram pois não ligo a isso). Tenho para mim que esta música tem um poder enorme de raiva e energia. E acho o sample de piano extraordinário. Já foram feitas várias versões remix dela. E tem uma mensagem interessante… Realmente, neste mundo é preciso ser-se tolo para andar bom da cabeça!

It Takes A Fool To Remain Sane - The Ark

(…)
Every morning I would see her getting off the bus
The picture never drops, it’s like a multicoloured snapshot
Stuck in my brain
It kept me sane for a couple of years
As it drenched my fears
Of becoming like the others
Who become unhappy mothers
And fathers of unhappy kids
And why is that?
(…)

“Oito da noite numa avenida movimentada. O casal já está atrasado para jantar em casa de uns amigos. A morada é nova, bem como o caminho que ela consultou no mapa antes de sair. Ele conduz o carro. Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda. Ele tem certeza de que é à direita. Discutem. Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida. Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado. Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno. Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
- Se tinhas tanta certeza de que eu estava a ir pelo caminho errado,
devias ter insistido um pouco mais…
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!”
 
adaptado de Anjo e Demónio 

Esta história é contada durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. A cena serve para ilustrar quanta energia gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não.

Apesar de a história dar “razão” à mulher, tudo isto se passa um pouco entre os dois sexos. No dia-a-dia e em muitas e diversas situações. Já me deparei inúmeras vezes em posições semelhantes a este personagem (Ela) e calei-me para tentar ser feliz em vez de assumir a razão do meu lado. Ao ler isto, tenho também andado a pensar se: quero ser feliz ou ter razão?

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