Este blog nasceu no pior momento da minha vida. Momento esse que praticamente me destruiu e hipotecou todas as razões e motivos de ser feliz.
Surgiu por necessidade. Porque precisava de me abrir ao mundo. Escrever, fazer sentir. Encontrar uma forma de partilhar o que poucos quiseram um dia entender. Ouvir-me para depois compreender tudo. Tirar cá de dentro para me sentir mais leve. E mais leve, avançamos melhor.
Juntei-lhe música. A “minha música” sob a forma de espelho. A musica que alguém, de forma egoísta, escreveu para mim, por mim e me deu a conhecer. A música nova, os novos sons da minha nova vida. Isso ou uma outra forma de esquecer, lembrando-me.
Nunca serviu para terem pena de mim. Mas serviu sempre para saber com quem poderia contar. Quem me compreendia e quem acreditava em mim. Nada de chantagem, nada de demagogia, nada de influências difusas e complexadas. Apenas a verdade e a mais simples possível.
E tive sempre o cuidado, o maior cuidado possível, para não declarar abertamente nomes, momentos, sentimentos pessoais de alguém que não eu. Por respeito, por não ter o direito, por obrigação e por amor.
Mas chegou o momento em que tudo se perdeu. O encanto deste canto esvaiu-se, esfumou-se de um momento para o outro. Esperaria que servisse para as pessoas me compreenderem, não questionando. Me conhecerem, desconhecendo-me. Mas passou a servir como uma espécie de arma de arremesso. Uma batota num jogo de sentimentos. Uma forma pouco legal de atingir um fim.
E por isso, senti que chegou o fim. Não mais vai servir para me ofenderem. Não mais vai servir para me atacarem. Não mais vai servir para me confrontarem. Não mais vai servir para justificar problemas de outros. Não mais vai servir para saberem da minha vida. Não mais vai servir para confundir as pessoas, sobretudo aquelas que pouco querem entender.
As pessoas que realmente gostam de mim, sabem onde me encontrar. Sabem onde e quando perguntar por mim. Saberão escutar-me. Saberão quando hei-de precisar delas. E são muitas as vezes que preciso.
Os que não têm nada a ver com isto, mas que até apareciam, espero que compreendam. Agradeço a vossa preocupação, mas há motivos bem mais fortes.
Quanto ao resto… vou andando por aí.
Fim – Toranja
Neste infinito fim que nos alcançou
guardo uma lágrima vinda do fundo
guardo um sorriso virado para o mundo
guardo um sonho que nunca chegou
Na minha casa de paredes caídas
penduro espelhos cor de prata
guardo reflexos do canto que mata
guardo uma arca de rimas perdidas
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci…
No mundo onde tudo parece estar certo
guardo os defeitos que me atam ao chão
guardo muralhas feitas de cartão
guardo um olhar que parecia tão perto
Para o país do esquecer o nunca nascido
levo a espada e a armadura de ferro
levo o escudo e o cavalo negro
levo-te a ti… levo-te a ti para sempre comigo…
Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que senti
Falo ao mar do que nunca perdi.
Compreendemos pois, espero q corra tudo da melhor maneira. Talvez o pior tenha passado, assim espero, e se olhas de uma diferente maneira a este blog e a alguns desses posts, é porque algo mudou, de certeza q para bem. Boa sorte